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Hoje é dia: 03/03/2021



História da Música Brasileira - 1999

 

Série de 10 capítulos produzida por Ricardo Kanji (criador, diretor artístico e apresentador); Ricardo Maranhão (historiador); Paulo Castagna (musicólogo); Reinaldo Volpato (diretor de TV) e Vox Brasiliensis Coro e Orquestra, dirigida por Ricardo Kanji, em 1999.


Capítulo 1. Introdução & primeiros tempos da música no Brasil

O primeiro episódio de História da Música Brasileira inicia-se com a execução, pela orquestra Vox Brasiliensis, da Abertura Zemira de José Maurício Nunes Garcia, a obra que se tornou a vinheta sonora e visual da série. Ricardo Kanji apresenta, em seguida, uma introdução ao projeto, que inclui uma conversa com Paulo Castagna sobre o trabalho com manuscritos musicais, no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo Informações gerais sobre o início do domínio europeu do Brasil e sobre a relação com os indígenas e africanos são ligadas à atividade musical dos séculos XVI, XVII e princípios do XVIII, com vários exemplos sonoros, incluindo Matais de incêndios, a primeira composição polifônica encontrada em manuscrito musical brasileiro.

 

 


 Capítulo 2. A música setecentista no Brasil

 

O segundo episódio de História da Música Brasileira aborda a música de tradição euro-péia composta em Pernambuco, Bahia e São Paulo no século XVIII. Embora a maior parte das obras musicais escritas no Nordeste brasileiro dessa época tenha sido perdida, o programa tenta apresentar um panorama da produção que ocorreu nessas regiões antes da Independência. Dificilmente qualificável como barroco ou mesmo clássico, esse repertório estende-se das obras portuguesas cantadas no Brasil (como a primeira peça cantada neste episódio, que hoje sabemos ser do português renascentista Manuel Cardoso) até as composições que apresentam mistura de elementos musicais de vários estilos, incluindo o melodismo da ópera italiana, mesmo na música sacra. Escritas em uma fase escravocrata, na qual essas regiões brasileiras eram marcadas pelo genocídio das comunidades indígenas e apropriação de suas terras para a exploração agro-pecuária, as obras apresentadas neste programa refletem a cultura dos europeus que se beneficiavam do sistema sócio-econômico imposto às comunidades locais. Mesmo assim, algumas idéias e sonoridades africanas já eram presentes nos lundus que circulavam por várias camadas sociais e mesmo em algumas canções que a elite portuguesa praticava em suas residências.

 

 


 Cap. 3. A música no período áureo de Minas Gerais

 

O terceiro e quarto episódios de História da Música Brasileira referem-se à música sacra escrita em Minas Gerais no século XVIII, principalmente por compositores afro-descendentes. Este terceiro episódio aborda a perseguição da música africana pelas auto-ridades eclesiásticas da época e o cultivo da música sacra nas igrejas e das canções portuguesas no ambiente doméstico, ainda que em algumas dessas canções se observe o interesse português pela visão de mundo africana. Entre obras de compositores portu-gueses, como o Pueri Hebræorum para três vozes e baixo e talvez o Bajulans para qua-tro vozes e baixo, este episódio apresenta composições mineiras de Francisco Gomes da Rocha (c.1754-1808), Manuel Dias de Oliveira (c.1735-1813) e Inácio Parreiras Neves (c.1730-c.1791). Também foi dedicado espaço, neste episódio, à arquitetura sacra e ao órgão da catedral de Mariana, provavelmente construído em Hamburgo por Arp Schnitger em 1701, mas enviado a Minas Gerais por ordem do rei de Portugal em 1750.

 

 


Cap. 4. Ouro, diamantes e música em Minas

 

O quarto episódio de História da Música Brasileira é dedicado aos compositores mineiros e afro-descententes José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita e João de Deus de Castro Lobo. Lobo de Mesquita nasceu na Vila do Serro, por volta de 1746 e transferiu-se para o Arraial do Tijuco (atual Diamantina) cerca de trinta anos depois, onde viveu seu período mais produtivo, transferindo-se em 1798 para Vila Rica (hoje Ouro Preto), e em 1801 para o Rio de Janeiro, onde exerceu o cargo de organista da Ordem Terceira do Carmo até sua morte, em 1805. Castro Lobo nasceu em Vila Rica em 1794 e faleceu em Mariana em 1832, cidade na qual desempenhou os cargos de mestre da capela da cate-dral e organista, trabalhando junto ao órgão que foi assunto do terceiro episódio desta série. Entre as obras de Lobo de Mesquita, foi incluído o Ego enim accepi a Domino (Lição VIII das Matinas de Quinta-feira Santa), que mais provavelmente foi escrito por Jerônimo de Sousa Lobo em Vila Rica, em fins do século XVIII ou princípios do século XIX.

 

 


Capítulo 5. Pe. José Maurício Nunes Garcia: um brasileiro nos ouvidos da Corte

 

O quinto episódio de História da Música Brasileira é dedicado à música de José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), o maior compositor afro-descendente de música sacra dos séculos XVIII e XIX, desde sua primeira composição conhecida, Tota pulchra es Maria (1783), escrita aos 16 anos de idade. O episódio inclui informações sobre sua ordenação sacerdotal, seu desenvolvimento profissional e sua relação com a elite monárquica e com o compositor Marcos Portugal, que chegou ao Rio de Janeiro em 1811 para assumir a função de compositor da corte. Além de obras sacras, o programa apresenta, na íntegra, duas de suas peças orquestrais: as Aberturas em Ré e Zemira.

 

 


Capítulo 6. A música da Independência

 

O sexto episódio de História da Música Brasileira aborda a atividade musical no Rio de Janeiro em torno do ano da Independência (1822), com muitas informações e imagens históricas. Destacam-se as obras de José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), princi-palmente as profanas. O episódio, inclui também a finalização do Requiem de Mozart por e Sigismund Neukomm (1778-1858) no Rio de Janeiro e a apresentação, na íntegra, do primeiro movimento do primeiro Dueto concertante para dois violinos de Gabriel Fernandes da Trindade (a mais antiga composição camerística brasileira), pelos violinis-tas Cláudio Cruz e Betina Stegman. O programa aborda, ainda, a história dos principais hinos políticos compostos na ocasião, como o Hino Constitucional Brasiliense (hoje o Hino da Independência) - cuja letra de Evaristo da Veiga foi musicada por D. Pedro I - e o Hino ao Sete de Abril (hoje o Hino Nacional), com a letra original de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, que comemorava a abdicação de D. Pedro I e seu retorno a Portu-gal, em 1831.

 

 


 Capítulo 7. Saraus, danças e intimidades. A música no Brasil no séc. XIX

 

O sétimo episódio de História da Música Brasileira explora a música usada no ambien-te doméstico brasileiro do século XIX. Canções, como modinhas e lundus - gêneros res-pectivamente apolíneo e dionisíaco - envolviam a expressão dos sentimentos amorosos (presentes ou perdidos), o humor e a sátira, sendo muito comuns em reuniões familiares e sociais daquele período. As danças, por sua vez, eram destinadas às festas e comemorações, sendo as principais, nessa época, a polca, a quadrilha, a mazurca e a valsa, abordadas nessa ordem no sétimo programa. Embora tenham circulado, no Brasil do século XIX, tanto obras locais quanto internacionais, o sétimo programa apresenta composições brasileiras destinadas ao meio doméstico da elite do período, abordando também algumas questões sociais envolvidas nesse repertório.

 

 


Capítulo 8. Carlos Gomes, o emblema da ópera no Brasil

 

O oitavo episódio de História da Música Brasileira é dedicado ao compositor Antônio Carlos Gomes (Campinas-SP, 1836 - Belém-PA, 1896), primeiro autor brasileiro de óperas a ter adquirido notoriedade na Europa. O programa discorre sobre sua formação em Campinas, São Paulo e Rio de janeiro, e sobre sua vida profissional no Brasil e na Itália, apresentando obras menos conhecidas de sua produção, entre elas, peças para piano como as polcas Caiumba e Nini, canções como o Hino à Mocidade Acadêmica, a modinha Quem sabe, a ária Conselhos, o prelúdio da ópera A noite do castelo e a Sonata em ré maior para cordas, que recebeu do autor o subtítulo "Burrico de pau".

 

 


Capítulo 9. Romantismo - um Brasil para poucos

 

O nono episódio de História da Música Brasileira é dedicado ao movimento musical romântico brasileiro e suas contradições sociais. Embora a sociedade brasileira da segunda metade do século XIX tenha optado pela extinção do sistema escravocrata, a elite urbana exigiu uma cultura de origem branca e européia, o mais isenta possível dos costumes populares. Foram assim criados os primeiros clubes de concertos, destinados a levar a essa mesma elite óperas, sinfonias, concertos para instrumento e orquestra, danças de salão, canções e música de câmara de origem européia ou de autores brasileiros filiados à tradição européia. Nesse ambiente, a partir da década de 1870, a elite brasileira iniciou a assimilação do romantismo europeu, estimulando o surgimento de compositores inteiramente dedicados a essa tendência, como Henrique Oswald (Rio de Janeiro, 1852-1931), Leopoldo Miguez (Niterói, 1850 - Rio de Janeiro, 1902) e Alberto Nepomuceno (Fortaleza, 1864 - Rio de Janeiro, 1920), dos quais são apresentadas neste pro-grama algumas obras pianísticas, camerísticas e sinfônicas.

 

 


Capítulo 10. Romantismo e patriotismo: afinal,somos brasileiros?

 

 

 O décimo e último episódio de História da Música Brasileira (embora tenham sido planejados 15 episódios, somente 10 foram efetivamente lançados) aborda a Belle Èpoque brasileira, um período situado entre as últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX e caracterizado pela criação de uma cultura urbana baseada no ideal europeu (principalmente francês) de civilização. Além da adoção do romantismo franco-germânico no repertório dos teatros e escolas de música, proliferaram-se, nas danças de salão dessa fase, a abordagem da música popular a partir do olhar europeu, ou seja, como manifestação exótica de uma população inculta, mas que poderia ser civilizada pela arte do Velho Mundo. Como exemplos de tais tendências, o programa apresenta obras de Alberto Nepomuceno (Fortaleza, 1864 - Rio de Janeiro, 1920), Brasílio Itiberê da Cunha (Paranaguá, 1846 - Curitiba, 1913) e Alexandre Levy (São Paulo, 1864-1892).

 

 



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