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Hoje é dia: 20/09/2021



Counterpoint - In the style of J. S. Bach

 

Thomas Benjamin Schirmer Books A Division of Macmillan, Inc. London – 1986

Tradução: Orlando Marcos Martins Mancini


 

INTRODUÇÃO

Quase toda música é em algum grau contrapontística. Mesmo a música normalmente estudada pelo seu conteúdo “harmônico” é, freqüentemente, igualmente linear em sua concepção e em seu efeito. A distinção feita entre harmonia (o aspecto vertical ou acórdico) e contraponto (o aspecto linear; as maneiras como as vozes independentes se relacionam) é uma convenção pedagógica não suportada pela verdadeira prática musical.

Pode-se dizer que na maioria da música polifônica estão sob controle instâncias horizontais e verticais (como também muitos outros tipos de elementos). Assim, nos concentramos neste livro em acordes e linhas [melódicas] e em como esses elementos influenciam um ao outro. O estudo está enraizado na prática musical, não em abstrações, e é baseado na musica instrumental de J. S. Bach com ênfase na música para teclado. Por que Bach? Porque em sua música descobriremos uma forte coordenação ideal, progressões harmônicas direcionadas e linhas melódicas energicamente independentes, tudo isso banhado com grandeza de espírito e ampla concepção musical. Seu domínio da harmonia, dos processos motívicos e melódicos, e a abrangência de sua composição contrapontística é de uma ordem extremamente alta, ainda que sua técnica estarrecedora esteja sempre a serviço de finalidades musicais, nunca como um fim em si mesma. Somente nos grandes músicos e compositores perceberemos este senso de unidade perfeita equilibrada com a técnica e a expressão. Bach representa o ponto culminante do ideal musical do período Barroco, um compositor que carrega conjuntamente pelo menos três estilos nacionais e que coloca no mais alto ponto todas as formas contrapontísticas inerentes no seu tempo. Bach exerceu uma tremenda influência nos compositores posteriores. Mozart exclamou ouvindo um moteto de Bach pela primeira vez: “Agora existe algo com que podemos aprender!” Beethoven disse: “Não Bach (brook - quebrado) mas Meer (sea – mar) deveria ser seu nome”; e Schumann aconselhava os jovens músicos, “torne o Cravo-bem-temperado seu companheiro diário... Então você certamente se tornará um músico sólido”.



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